A melhor vitrine são as redes sociais e os sites de emprego

Uma pesquisa exclusiva realizada por VOCÊ S/A revela: quem não explora adequadamente as redes sociais e os sites de emprego torna-se invisível para os recrutadores. Saiba como se expor online para aumentar sua visibilidade profissional

Em agosto, a advogada e cientista social paulistana Maria Elisa Curcio Pereira, de 31 anos, foi contratada para o posto de diretora de relações governamentais da Avon no Brasil. Maria Elisa, que até então ocupava o cargo de gerente sênior de relações governamentais da Whirlpool, não estava procurando emprego quando foi contatada por um headhunter que havia encontrado seu perfil no LinkedIn

Fundada nos Estados Unidos em 2003, a rede social voltada para profissionais tem no Brasil 13 milhões de usuários. “Eu tinha a impressão de que as vagas via LinkedIn eram mais juniores, mas tive uma grata surpresa”, afirma.

A história de Maria Elisa ilustra uma tendência recente do mercado de trabalho quando o assunto é recrutamento: a possibilidade, para o RH, de acessar profissionais que não estão em busca de emprego e, para as pessoas, de expor seu talentosem necessariamente estar procurando uma vaga.

Antes do surgimento desse tipo de ferramenta, essas opções eram bastante limitadas, já que os profissionais que estavam empregados não contavam com uma plataforma para exibir as informações de seus currículos pela qual pudessem ser contatados.

Eles só se tornavam potenciais candidatos ao preenchimento de uma vaga se decidissem trocar de trabalho e inscrevessem seu currículo na página de uma empresa ou num site de empregos.  “Esse tipo de conexão representa uma revolução. É uma forma barata e fácil de chegar ao profissional”, diz Milton Beck, diretor de vendas do LinkedIn.

Essa revolução não se limita à forma como os recrutadores fazem seu trabalho. Ao tornar os profissionais que já estão empregados acessíveis às propostas das mais diversas empresas, essas redes sociais também aumentam a autonomia dos trabalhadores no que diz respeito à gestão da própria carreira.

Ao receber mais ofertas, eles têm mais opções para decidir quando fazer uma transição profissional e podem negociar melhores condições para aceitar um novo trabalho, diferentemente do que aconteceria se estivessem desempregados. Mas como aproveitar de fato todas as possibilidades desse novo cenário e usar as tecnologias para receber mais propostas?

Para responder a essa pergunta, VOCÊ S/A realizou, em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos, uma pesquisa
sobre o uso dessas ferramentas online. O levantamento, realizado de abril a julho deste ano por meio do site de pesquisas SurveyMonkey, questionou 262 recrutadores e 259 profissionais — empregados e desempregados — sobre a forma como eles utilizam as redes sociais e os sites de emprego.

O objetivo foi avaliar o peso dessas ferramentas nos processos de seleção  e identificar as mais usadas pelo RH para preencher cada tipo de cargo. “Recrutadores de microempresas a grandes corporações, bem como todas as atividades empresariais, estiveram representados na pesquisa, para colhermos um resultado apurado, sem excluir nenhum segmento”, afirma Rodolfo Ohl, gerente-geral da Survey Monkey no Brasil.

Aumento de 300%

A primeira constatação da pesquisa de VOCÊ S/A foi que apenas 7,4% dos RHs declaram não utilizar sites de empregos ou redes sociais na hora de recrutar. Dito de outro modo, isso signifca que os trabalhadores que não fazem uso de alguma dessas ferramentas estão invisíveis para os recrutadores.

Foi o que percebeu o engenheiro mecânico Rafael Caffaro Abolis, de 30 anos, gerente das áreas comercial e de marketing da multinacional dinamarquesa Nilfsk- Advance, de equipamentos de limpeza. “Quem não tem um perfil ou o currículo público parece que não está no mercado”, diz. Rafael mantém seu currículo em vários sites, como Catho e Vagas, e em congêneres internacionais, como Monster.

Ele também expõe seu perfil nas páginas de empresas de recrutamento, como Robert Half e Michael Page, e no LinkedIn, onde mantém
uma conta Premium. Boa parte das mudanças profissionais que fez foi possibilitada por essa estratégia, incluindo passagens pelas empresas Scania e Usiminas, e um posto internacional de gerente comercial da Clarion Consulting, na Irlanda.

Em 2011, depois de um ano morando no exterior, Rafael retornou ao Brasil e atualizou suas informações em todas as ferramentas online
em que mantém o currículo. Três meses depois de voltar, já foi contatado via LinkedIn e contratado pela subsidiária brasileira da americana Nacco. Apenas um ano mais tarde, um recrutador que encontrou o perfil de Rafael na Catho e no LinkedIn apresentou a proposta da startup dinamarquesa onde ele trabalha atualmente.

“Eu estava feliz na Nacco, não buscava oportunidades, mas a Nilfsk-Advance me levou aos Estados Unidos para conhecer o presidente da empresa, sem compromisso. Fui muito bem tratado. Ela me conquistou”, diz. Todas essas mudanças de emprego renderam a Rafael mais do que uma rica bagagem profissional. Proporcionaram também um bom upgrade em sua remuneração. “Eu tive um aumento salarial de 300% nos últimos cinco anos”, diz.

O gerente acredita que, se estivesse fora das redes e dos sites que facilitaram as mudanças de emprego, teria conseguido, no máximo, uma elevação salarial de 5% ao ano — que basicamente corresponde à correção do salário pela inflação. “É difícil receber promoções estando na mesma empresa. Você precisa mudar para ter esse reconhecimento fnanceiro. E quando é procurado, então, tem um supertrunfo nas mãos”, diz.

Perfis múltiplos

Embora o perfl de Rafael, inscrito em vários sites e redes profissionais simultaneamente, pareça uma exceção, os dados da pesquisa de
VOCÊ S/A sobre como os recrutadores utilizam essas ferramentas sugerem que os trabalhadores que desejam receber propostas deveriam incluir seu perfil em mais de uma delas.

Ao contrário da tradicional visão de que o LinkedIn seria usado para recrutar apenas os profissionais de cargos mais altos, enquanto os sites de empregos focariam apenas nos cargos mais baixos, os números revelam que há uma sobreposição de públicos entre essas ferramentas. o LinkedIn lidera o ranking das mais usadas pelos recrutadores para postos tanto de presidente e diretor quanto de supervisor e coordenador, analista e especialista, o que indica uma popularização dessa rede social profissional.

“Já encontramos até encarregados de obras com perfl no LinkedIn”, diz marcelo Zappia, diretor de RH da construtora Tecnisa. por outro lado, 40,1% dos recrutadores declaram usar o site Catho para selecionar candidatos de nível gerencial. longe de ser casual, esse maior uso da catho no recrutamento para postos mais elevados refete as mudanças de posicionamento de mercado que a empresa vem fazendo desde que passou a ser controlada pela australiana SEEK, em maio de 2012.

Fonte:Revista Você S/A.

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